terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Poesia

África


África...
Linda...
Imensa...
E mágica...
África dos Leões...
Dos elefantes...
Das girafas...
E do salalé...
Do muito...
E do pouco...
Da magia...
Da vida...
Do amor...
E da saudade...
África...
É tudo isto...
África...
É a imensidão...
Do ir...
Do amar...
E do querer... voltar...

Lili Laranjo

Sawabona

 

Sawabona -Cumprimento usado na África do Sul, que significa:
"Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim!"
Em resposta, as pessoas dizem:

Shikoba, que significa :
"Então eu existo para você!"

Máscaras Africanas


As "máscaras" são as formas mais conhecidas da plástica africana. Constituem síntese de elementos simbólicos mais variados se convertendo em expressões da vontade criadora do africano.

A máscara transforma o corpo do bailarino que conserva sua individualidade e, servindo-se dele como se fosse um suporte vivo e animado, encarna a outro ser; gênio, animal mítico que é representando assim momentaneamente. Uma máscara é um ser que protege quem a carrega. Está destinada a captar a força vital que escapa de um ser humano ou de um animal, no momento de sua morte. A energia captada na máscara é controlada e posteriormente redistribuída em benefício da coletividade.


http://www.encantosdaafrica.blogspot.com/

Provébios Africanos

Provérbios Africanos
sitiodolivro.pt
"Uma mentira estraga mil verdades."
"Um inimigo inteligente é melhor que um amigo estúpido."
"É melhor ser amado do que temido."
"O machado esquece; a árvore recorda."
"O cavalo que chega cedo bebe a água boa."
"Aquele que não cultiva seu campo, morrerá de fome.
"Quando um rei tem conselheiros bons, seu reino é pacífico."
"Não chame um cachorro com um chicote em sua mão."
"Sem vingança, os males do mundo um dia ficarão extintos."
"A igualdade não é fácil, mas o superioridade é dolorosa."
"O conhecimento é como um jardim: se não for cultivado, não pode ser colhido."
"O vento não quebra uma árvore que se dobra."
"Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo."
"A esperança é o pilar do mundo."
"O conhecimento não é a coisa principal, mas ações."
"Não importa quanto longa seja a noite, o dia virá certamente."
"Não pise no rabo do cachorro, e ele não o morderá."
"O coração do homem sábio encontra-se quieto como a água límpida."
"Se sua lingua tranformar-se em uma faca, cortará sua boca."
"Um pouco de chuva a cada dia encherá os rios até transbordarem."
"Até que os leões tenham suas histórias, os contos de caça glorificarão sempre o caçador."
"O coração de um homem e o fundo do mar são insondáveis."
"Quando as teias de aranha se juntam, elas podem amarrar um leão."
"Quando seu vizinho está errado você aponta um dedo, mas quando é você que está errado esconde."
"Se você danificar o caráter de outro, você danifica o seu próprio."
"Quando você é rico, você é odiado; quando você é pobre, você é desprezado."
"Ninguém testa a profundidade de um rio com ambos os pés."
"Deus esconde-se da mente do homem, mas revela-se ao seu coração."
"Uma vaca tem que pastar onde ela está amarrada."
"Na floresta quando as ramas discutem as raízes se beijam".

"Depois de uma ação tola vem o remorso."
"Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente."
"Amor é como um bebê: precisa ser tratado com ternura."
"É a água calma e silenciosa que afoga um homem."
"A ruína de uma nação começa nas casas de seu povo."

“Nunca se esquecem as lições aprendidas na dor.”
"Quem casa com a beleza casa-se com um problema."
"Não há nenhum remédio para curar ódio."
"O dinheiro é mais afiado do que uma espada."
"O homem avarento está como um boi gordo: ele só dará a gordura quando for privado de sua vida."
"A união do rebanho obriga o leão a ir dormir com fome
"As crianças são a recompensa de vida."
"Quando não existe inimigo no interior, o inimigo no exterior não pode te machucar."
Nosso amor é como chuvisco que cai silenciosamente, mas transborda o rio."
encantosdaafrica.blogspot.com

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MEC E UNICEF LANÇAM CAMPANHA CONTRA RACISMO NAS ESCOLAS

Campanha contra racismo nas escolas será 'puxão de orelha' na sociedade

Em um Mundo de Diferenças, Enxergue a Igualdade. Esse é o tema da campanha lançada no dia  29/11/2010, pelo Ministério da Educação (MEC) e a Unicef, para alertar sobre o impacto do racismo nas escolas e promover iniciativas para a redução das desigualdades. Dados do IBGE mostram que, das 530 mil crianças entre 7 e 14 anos fora da escola, 330 mil são negras. O índice representa 62% do total. Para a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, a iniciativa é um "puxão de orelha na sociedade em geral e nos responsáveis pelas políticas públicas para o setor", porque chama a atenção para a criminalização da adolescência negra no país. Leia Mais <http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=5656614>.
Unicef cria Blog especial para campanha contra o racismo na infância
Sob o título Minha ação contra o racismo na infância, o Unicef cria Blog como parte da campanha, para dar visibilidade às ações e aos projetos que ajudem a assegurar o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância. Você pode compartilhar sua história, de seu projeto em uma escola, na comunidade ou em seu município, ou contar como uma idéia simples e criativa fez a diferença na vida de crianças e/ou adolescentes. Seu relato será publicado no blog e divulgado por meio do perfil do UNICEF no Twitter 
<http://www.twitter.com/unicefbrasil>. Acesse o Blog
<http://www.infanciasemracismo.org.br/minha-acao-contra-o-racismo/>.

Notícia extraída do MEC e enviada pelo FENEGRA



terça-feira, 30 de novembro de 2010

LENDAS DO FOLCLORE IORUBÁ

afrocorporeidade.blogspot.com

Alguns exemplos...

A princesa e seu marido
Uma princesa chamava seu marido de àwé (amigo), e se recusava a chamá-lo de bàbá (pai), que era a forma tradicional de se chamar os maridos naquela localidade. O marido, aborrecido, levou-a para uma floresta e transformou-se em cobra.
Não se importando, ela continuou a chamá-lo de àwé. Em seguida ele se transformou num leopardo, mas ela não teve medo. depois ele se transformou num rio profundo, mas ela continuou a chamá-lo de àwé. Quando ele se transformou em fogo e começou a cercá-la, ela finalmente gritou: “Bàbá! Bàbá!”, em obediência ao que ele queria.

Onidere
Havia um órfão chamado Onidere que era muito maltratado pelo homem que tomava conta dele. Comia muito pouco, era obrigado a trabalhar muito, a apanhava demais.
O menino aturava tudo com paciência, mas a antipatia do homem transformou-se em ódio, e ele ordenou a Onidere que fosse à floresta e trouxesse ma víbora viva, cultivasse uma terra inculta e pedregosa, e trouxesse a morte, do lugar onde ela mora.
Antes de desempenhar as tarefas o órfão foi até ao lugar onde sua mãe estava enterrada, e evocou seu espírito, cantando uma canção triste. O espírito da mãe deu-lhe poder para desempenhar as três tarefas, e no fim ele ganhou a liberdade.
Mafúèlè
 Mafúèlè era uma mulher que sofria de uma malformação congênita e não possuía dentes. Mesmo assim era a esposa favorita de seu marido. As outras esposas, com inveja, armaram um plano para derrubá-la.
Naquela cidade havia o costume de todos os anos sacrificar uma pessoa deformada, na festa da divindade local.
Aproveitando uma longa viagem do marido, as outras esposas convenceram o sacerdote a sacrificar Mafúèlè no dia da festa, já que ela não tinha dentes.
Na véspera da festa a mãe de Mafúèlè - que já era morta, apareceu para ela e fez seus dentes crescerem instantaneamente. Assim ela foi salva da morte pelo espírito da mãe, e as invejosas foram decapitadas por terem enganado o sacerdote.

Almeida, Maria Inez Couto de.Cultura Iorubá: costumes e tradições -  Ifatosin. – Rio de Janeiro: Dialogarts, 2006.  173 p. – (Coleção Em Questão virtual, nº 1)

POESIA IORUBÁ

Cuide de suas maneiras
Esta poesia iorubá retrata bem os costumes e a importância que o povo dá à educação e à honra. A filosofia de vida do povo africano é maravilhosa...
terradosorixas.blogspot.com
Cuide de suas maneiras
Cuide de suas maneiras, meu amigo!
A honra pode abandonar nossa casa,
e a beleza, às vezes, acaba.
O rico de hoje pode ser o pobre de amanhã.
A honra é como o mar,
e também a onda da riqueza;
ambas podem escapar de nossa casa.
Mas as boas maneiras acompanham-nos
até ao túmulo.
O dinheiro não é nada,
As boas maneiras é que são
a beleza da humanidade.
Se você tem dinheiro, mas não se comporta bem,
quem irá confiar em você?
Ou, se você é uma mulher muito linda,
mas não se comporta de maneira adequada,
quem desejará tê-la como esposa?
Ou, ainda, se você é muito educado,
mas engana as pessoas,
quem confiará em você para negócios?
Cuide de suas maneiras, meu amigo.
Sem bons modos, a educação não tem valor.
Todos amam uma pessoa que sabe se comportar.
TOJÚ ÌWÀ RE
Tojú ìwà re, ore mi!
Olá a ma si lo n’ilé eni,
Ewà a sì ma sì l’ára enia,
Olówó òní ‘ndi olòsì b’ó d’ola
Òkun l’ola, òkun nìgbì oro,
Gbogbo won l’ó ‘nsí lo nílé eni;
Sùgbon ìwà ni ‘mbá’ni dé sàree,
Owo kò je nkan fún ‘ni,
Ìwà l’ewà l’omo enia.
Bí o l’ówó bí o kò ní ‘wà ‘nko,
Tani je f’inú tán o ş’ohun rere?
Tàbí bí o sì şe obìrin rogbodo,
Bí o bá jìnà sí ‘wa tí edá ‘nfe,
Taní je fe a s’ílé bí aya?
Tàbí bi o je oníjìbìtì enia,
Bí a tile mo ìwé àmodájú,
Taní je gbé ‘se aje fún o se?
Tojú ìwà re, ‘ore mi,
Ìwà kò sí, eko d’ègbé,
Gbogbo aiye ni ‘nfe ‘ni t’ó je rere.
Almeida, Maria Inez Couto de.Cultura Iorubá: costumes e tradições -  Ifatosin. – Rio de Janeiro: Dialogarts, 2006.  173 p. – (Coleção Em Questão virtual, nº 1)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Plano de Aula - Por que os heróis nunca são negros?

POR QUE OS HERÓIS NUNCA SÃO NEGROS?
Fonte:Revista Nova Escola

Tema  - Preconceito racial
Objetivo - Mostrar que existe um racismo velado no Brasil e que a imagem dos negros nos livros ainda é inferiorizada perante o branco. Aumentar a auto-estima dos alunos afro-descendentes, despertar a turma para a diversidade da raça humana e promover o respeito pelas diversas etnias.
Como chegar lá - Faça um levantamento dos heróis e heroínas conhecidos pelo grupo. Provavelmente os de cor branca serão maioria. Em seguida apresente personagens negras de livros e filmes (como o desenho animado Kiriku e a Feiticeira, disponível em fita VHS) e pessoas notórias que sejam representadas de maneira positiva. Discuta os motivos dessa diferença, peça pesquisas em jornais e revistas que comprovem a discriminação
Dica - Não chegue com discurso pronto sobre o racismo. Deixe os alunos concluírem que o preconceito e a discriminação existem, sim, no Brasil e que precisam ser combatidos. Ao falar da cultura africana e dos rituais, prepare-se para enfrentar o preconceito religioso
O povo negro é discriminado em todos os cantos do planeta onde os brancos são maioria. E a sua sala de aula, professor, será território neutro? Por mais que você se preocupe em tratar todos da mesma maneira, os negros continuam sendo discriminados. Quer ver como? Pense nos livros que a turma lê. Eles mostram famílias negras de classe média, felizes e bem-sucedidas? Têm príncipes, reis e rainhas que não sejam brancos? Você não acha isso um problema? Então imagine o que significa ser despertado para o prazer da leitura sem ver sua raça representada de forma positiva nas páginas dos livros.
"Lendas, contos da carochinha e mitologias ajudam as crianças a construir sua identidade. Num processo de transferência, os pequenos se colocam no lugar dos heróis e vivenciam as sensações dos personagens", explica Taicy de Ávila Figueiredo, pedagoga e professora de Educação Infantil em Brasília. Sentimento de inferioridade e auto-rejeição são as conseqüências mais comuns na auto-estima de quem não se reconhece nas histórias contadas na escola. "Todos querem ser aceitos por seu grupo, pela sociedade. Muitos alunos passam a se enxergar como brancos", explica Ana Célia Silva, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Você deve estar se perguntando como fugir dessa questão, já que as histórias consagradas do mundo de faz-de-conta são européias. A sugestão é entrar no universo de lendas e histórias da África, do Oriente, dos índios... Veja como a professora Maria Cecília Pinto Silva, da Escola Municipal de Educação Fundamental General Esperidião Rosas, em São Paulo, conseguiu plantar uma semente contra o racismo em uma atividade interdisciplinar para as turmas da 4a série. O projeto ganhou o prêmio Educar para a Igualdade Racial, do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert).
 Experiência prática
Diagnóstico/Objetivos  - Após presenciar diversas atitudes racistas, a professora elaborou um projeto para despertar o respeito às diferenças. Pediu à classe que desenhasse os heróis preferidos, já prevendo o resultado. A maioria citou personagens brancas. Ela aproveitou os dados e ensinou, nas aulas de Matemática, como elaborar gráficos. Veja o resultado: 94% de personagens brancas, 4% de orientais e 2% de negras.
Problematização
Maria Cecília apresentou o herói Kiriku, do filme Kiriku e a Feiticeira. O desenho animado se passa na África e todas as personagens são negras. A turma assistiu ao filme, reescreveu a história e a sinopse e fez resenhas. Em seguida a professora pediu um exercício de comparação com os contos de fadas tradicionais e o levantamento das características desse gênero literário. Para começar, lançou a pergunta: por que não vemos personagens negras em outras histórias? Os alunos conseguiram se lembrar de algumas, como o Negrinho do Pastoreio, o Zumbi e Tia Nastácia. Qual a diferença entre eles e Kiriku? "Ele é um herói, professora", responderam. Bingo! A próxima atividade foi de leitura de livros cujas personagens principais são negras, como Luana, de Aroldo Macedo. Em seguida as crianças pesquisaram em jornais e revistas reportagens sobre racismo, enquanto Maria Cecília mostrava fotos e histórias de grandes ícones brasileiros negros, como o professor Milton Santos.
Desdobramentos - Em Ciências, foram estudadas diversas versões para a criação do mundo e a professora apresentou lendas africanas e indígenas. Nesse momento, um aluno muçulmano trouxe sua experiência e enriqueceu a discussão sobre pluralidade cultural.
 "Não quero desenhar nem ouvir falar em orixás", reclamaram alguns evangélicos na aula de Ciências de Maria Cecília. O preconceito religioso é outro desafio a ser enfrentado na escola. Algumas crianças não queriam participar dessa etapa do projeto. Durante essa difícil tarefa, o aluno Kaled Abidu El Carim Abou Nassif, libanês e muçulmano, pediu espaço para contar a versão da religião de Maomé para a criação do mundo. Como a cultura islâmica está em evidência, os colegas estavam cheios de perguntas. Depois dos orixás, anjos e Alá, os alunos conheceram histórias de Tupã e tiveram contato com as lendas indígenas. "Estão vendo? Não somos e não precisamos ser todos iguais", disse a professora, explicando que conhecer é muito diferente de convencer.

NATAL AFRICANO

Natal Africano
Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.

Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.

Nem luz, nem cores, nem lembrança
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.

Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.

Cabral do Nascimento
Obra Poética
Porto, Edições Asa, 2003